Foragido, 'Dr. Bumbum' foi indiciado quatro vezes pela polícia do DF

17/07/2018 15:01:33

Clínica clandestina no Lago Sul foi alvo de operação em novembro. Paciente morreu após cirurgia em cobertura na Barra da Tijuca, no Rio, neste domingo. Denis Cesar Barros Furtado, o "Dr. Bumbum", é considerado foragido pela Justiça Reprodução/Instagram Conhecido como "Dr. Bumbum", o médico Denis Cesar Barros Furtado foi indiciado quatro vezes pela Polícia Civil do Distrito Federal por exercício ilegal de medicina e crime contra o consumidor. Ele foi alvo de uma operação realizada em novembro de 2017 em uma clínica clandestina mantida no Lago Sul, área nobre de Brasília. Ele ainda não foi denunciado à Justiça e, portanto, não é considerado réu. O médico está foragido desde que fez um procedimento estético na cobertura de um apartamento na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que terminou com a morte de uma paciente, no domingo (15). Após o caso, a namorada do médico, Renata Fernandes Cirne, de 20 anos, foi presa. A mãe dele, a médica Maria de Fátima Barros – que está com o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) do DF cassado –, fugiu. Já o "Dr. Bumbum" ainda tem registro ativo no CRM do DF. A maioria dos processos sobre o médico relacionados à má prática do exercício corre em sigilo no Tribunal de Justiça do DF. Sistema do Conselho Regional de Medicina do DF diz que registros do médico estão regulares Reprodução Durante a operação em Brasília, foram apreendidos documentos, dinheiro, material hospitalar e três armas – duas pistolas .380 e uma espingarda calibre .12 – sem registro no Ministério da Justiça. Por causa das armas, chegou a ser detido em flagrante, mas foi liberado após pagar fiança. Operação no Lago Sul Segundo a polícia, o material apreendido em novembro comprovou que houve prática de medicina em local inapropriado. Além disso, só não houve abordagem prévia da Vigilância Sanitária e do CRM por causa do horário de funcionamento da clínica, sempre à noite – uma estratégia para evitar a fiscalização, segundo o delegado Paulo Márcio Meireles Rodrigues. As investigações começaram naquele mês, quando ao menos duas vítimas procuraram a delegacia do Lago Sul para denunciar o médico e reclamar de procedimentos que não deram certo. Renata Fernandes Cirne está presa e Denis Cesar, foragido da Justiça Divulgação "Para cada procedimento, as pacientes desembolsavam entre R$ 10 mil e R$ 20 mil", disse o delegado. “Eram tratamentos não reconhecidos, alguns até mesmo proibidos, como implantes hormonais para fins estéticos." Um dos casos que chamaram a atenção da polícia foi o de uma tetraplégica que procurou a clínica para diminuir as dores que sentia. Ele prometeu que ela voltaria a andar e fez um "implante hormonal". A cada espasmo que ela tinha, dizia que era a prova de que o tratamento estava funcionando. Porém, além de a paciente não melhorar, passou a sofrer de um problema pulmonar. Os investigadores afirmam ainda que o médico prometia terapia neural para curar depressão, mas aplicava apenas aminoácidos nas vítimas. Dr. Bumbum "Dr. Bumbum" tem 645 mil seguidores no Instagram Instagram/Reprodução Denis Furtado é popular nas redes sociais, onde ele mesmo se fez conhecer pelo apelido de Dr. Bumbum. Apenas no Instagram, ele conta com mais de 645 mil seguidores. Lá, ele dá dicas de saúde e exibe os resultados de antes e depois dos procedimentos estéticos que realiza. Estas são as mais populares e chegam a contar com dez mil curtidas. Sindicância Ao G1, o Conselho Regional de Medicina do DF informou que é o conselho do Rio que está liderando as investigações sobre a morte da paciente, pois é onde ocorreu a morte do paciente. A cassação do registro mantido em Brasília só pode ocorrer após as investigações em território fluminense serem encaminhadas à capital. Bancária morre após procedimento estético com médico conhecido nas redes sociais Alegando sigilo, o órgão disse que não pode divulgar o número de sindicâncias das quais o "Dr. Bumbum" é alvo. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por sua vez, informou que Denis Cesar Barros Furtado responde a "processo ético-profissional" no CRM-DF. Também segundo o órgão, ele foi alvo de uma "interdição interdição cautelar para o exercício da profissão" em março de 2016, medida suspensa três meses depois pela Justiça. Veja mais notícias sobre a região no G1 DF.

Fonte: G1 > Goiás